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Iveco lança linha Daily 2022

Crédito Divulgação Iveco

A Iveco Latin America Ltda. lançou esta semana a linha Daily 2022, de olho na crescente demanda do e-commerce e na nova etapa do Proconve, Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, o L7, que começa a vigorar em janeiro para veículos de até 3,5 toneladas. A mais recente versão, 35-160, disponível a partir do dia 1º ao custo de R$ 240 mil a R$ 250 mil em São Paulo – os valores variam conforme o Estado, devido ao ICMS –, vem com diversas novidades, além da redução de emissões.

O nono modelo oferece: possibilidade de espelhar o celular, sensores que controlam a pressão do pneu e a velocidade do limpador de para-brisa conforme a intensidade da chuva, luz de neblina, maior conforto do banco que traz até regulagem de altura e tem espaço embaixo do assento, além propiciar economia de até 6% de combustível e, ao mesmo tempo, ser capaz de carregar mais peso. O câmbio é manual, mas ao parar na subida ele sustenta o veículo ao tirar o pé do freio. Sua autonomia é de 650 quilômetros e o tanque de arla dura 4 mil quilômetros, o equivalente a três ou quatro meses. Com direção leve, a sensação de pilotar o modelo, ainda que carregado com 700 quilos de carga, é a mesma de guiar um carro.

A linha Daily responde hoje por 40% do faturamento da marca, de acordo com Ricardo Barion, diretor comercial da Iveco. Tanto que no segmento de chassi-cabine detém 35,4% de market-share, enquanto que, no mercado como um todo, a montadora possui participação de 8%. Além da versão 35-160, a linha conta com as versões 4,5 toneladas e 6,5 toneladas, que receberão, em 2023, atualização de motorização para o Euro 6 – o motor foi customizado pela FPT especialmente para atender à América Latina, e a versão 30-160 City, que estará disponível ao consumidor a partir de abril de 2022.

Segundo Márcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina, o volume de vendas da montadora em 2021 está “muito próximo do mercado”, que deve encerrar o ano com expansão em torno de 40%. Das 145 mil unidades que devem ser comercializadas no País até o fim deste mês, estimou Barion, a projeção é que 13 mil sejam da marca e 4,7 mil da linha Daily – em 2019, para efeito de comparação, eram 3,3 mil.

Apesar de todas as dificuldades esperadas para 2022, segundo o diretor comercial, o cenário de juros elevados, a falta de componentes e as incertezas trazidas pelas eleições são o que mais preocupam a fabricante. Por outro lado, o aquecimento do agronegócio, e-commerce e construção civil continuam puxando a demanda. A antecipação de compras de veículos acima de 3,5 toneladas de PBT Euro 5, que só poderão ser produzidos até dezembro de 2022, também pesa a favor para crescer acima dos 10% projetados pelo mercado.

Na tentativa de driblar a pressão de custos, a Iveco vem ampliando o índice de nacionalização de seus componentes. O objetivo é passar do intervalo de 60% a 65% para 65% a 70% de localização em 2022. O maior porcentual cabe à linha Daily. Para Querichelli, essa iniciativa é um dos pilares estratégicos da companhia:

“Costumo explicar aos nossos colegas europeus que a foto que foi tirada no Brasil dez anos atrás é completamente diferente da de hoje. Quando trouxemos o Euro 5, por exemplo, o dólar era cotado a R$ 1,08 e, hoje, está acima de R$ 5,00. A taxa Selic era altíssima e até alguns meses atrás estava baixa, apesar de agora ter voltado a subir. Ou seja, vivemos em uma montanha-russa e para fazer negócio no Brasil e na América Latina tem que ter estômago. Por isso o tema da localização é tão importante quanto o de emissões. Para a sobrevivência de qualquer companhia com esse câmbio, esse custo absurdo de importação de componentes, custo de frete marítimo e aéreo, é fundamental ter perto de nós componentes para abastecer a produção.”

A respeito do ganho de fatia do mercado deixado pela Ford, Barion disse que isso ocorreu com leves e semipesados, sem especificar quanto. Mas ponderou que no segmento de pesados, que é o que mais cresce, em torno de 70%, não é herança da montadora estadunidense. Querichelli complementou que os pesados representam 40% de todo o volume de veículos e estão fabricando mais pesados do que leves:

“Nossa fábrica de Sete Lagoas, MG, tem muito espaço e potencial para crescer. Tem capacidade produtiva para duplicar, triplicar e quadruplicar a produção.”

A planta possui três linhas de produção, sendo duas ativadas. Uma é de veículos leves, dedicada à Daily, e a segunda é de pesados, onde são montados ônibus também. O uso da capacidade instalada está entre 65% e 70%. “A terceira linha não está sendo usada, mas podemos ativá-la a qualquer momento.”

Atualmente, há 3,5 mil funcionários na Iveco América Latina pós-spin off, incluindo FPT, sendo 2,5 mil na unidade mineira, que ganhou recentemente o reforço de 800 profissionais – a produção aumentou em 120% ante 2020.

Argentina é o principal mercado de exportação da Daily, junto com Chile, Peru e Colômbia. Em janeiro será formado o Iveco Group e, na sequência, será feito anúncio de investimentos globais e para a América Latina. Somente em engenharia, a montadora investiu em torno de US$ 20 milhões este ano.

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