Crédito Divulgação GWM
23/09/2026
A GWM realizou, no final de agosto, o primeiro teste no Brasil com caminhão a hidrogênio desenvolvido pela GWM Hydrogen powered by FTXT, subsidiária global dedicada a tecnologias de hidrogênio. O veículo realizou o primeiro transporte de carga com um caminhão movido a célula a combustível de hidrogênio da América Latina e tracionou uma carreta cegonheira carregada com carros e SUVs eletrificados da própria marca, partindo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária da USP, com destino ao Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
“Este veículo inicia uma nova etapa dos esforços da companhia para avançar em soluções de transporte pesado com emissão zero. Estamos falando de uma tecnologia que une o melhor dos dois mundos: a robustez e confiabilidade de um caminhão elétrico e a autonomia proporcionada pelo hidrogênio verde com um processo de abastecimento rápido e zero emissão do tanque à roda”, destaca Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen Brasil.
Desenvolvido pela GWM Hydrogen, o caminhão é elétrico e movido por célula a combustível (FCEV). O sistema utiliza o hidrogênio armazenado nos cilindros e o oxigênio do ar para gerar eletricidade a bordo, que alimenta o motor elétrico. Nesse processo, a emissão no escapamento é apenas vapor d’água (H2O).
O modelo é equipado com bateria de 105 kWh e um conjunto de cilindros de fibra de carbono capaz de armazenar até 40 kg de gás hidrogênio a uma pressão de até 350 bar. O veículo também conta com sistema de recuperação de energia durante frenagens e desacelerações, recurso que permite reaproveitar energia em situações como descidas de serra.
O conjunto entrega até 400 kW (544 cv) de potência e 2.700 Nm de torque, números compatíveis com as exigências de carga e rota do transporte pesado brasileiro. Com os cilindros abastecidos, a autonomia pode chegar a 500 km, enquanto o reabastecimento é realizado em poucos minutos. O sistema permite ainda operação contínua por mais de dez horas.
Outro diferencial está na capacidade de carga. O caminhão possui Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas e peso vazio de 10,8 toneladas, cerca de 500 kg mais leve que a média dos concorrentes. Na prática, a redução de peso amplia a capacidade útil de carga sem abrir mão da robustez estrutural necessária às aplicações de transporte pesado.
Por não utilizar combustão para gerar a energia que movimenta o veículo, a tecnologia apresenta zero emissão local de gases de efeito estufa e de poluentes associados aos motores convencionais, como NOx, hidrocarbonetos (HC), monóxido de carbono (CO) e material particulado.
A FTXT é a subsidiária da GWM na China responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de célula a combustível e componentes para que utilizam o hidrogênio. Fora do país asiático, ela adota a marca GWM Hydrogen, reforçando o posicionamento global da empresa nesse segmento.
“A chegada deste caminhão representa mais do que um marco tecnológico: é o início da construção de um ecossistema de hidrogênio no Brasil, com parcerias estratégicas e soluções adaptadas à nossa realidade”, afirma Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen-FTXT Brasil.
Fase de testes
Os primeiros testes estão sendo realizados, em parceria com universidades brasileiras, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), que já conta com infraestrutura para abastecimento a partir do etanol, tecnologia desenvolvida no Brasil para produzir hidrogênio de baixo carbono.
“Estamos falando de uma tecnologia que une o melhor dos dois mundos: a robustez de um caminhão elétrico e a autonomia proporcionada pelo hidrogênio verde, com um processo de abastecimento rápido e zero emissões do tanque a roda”, destaca Lopes.
Inicialmente, os testes terão caráter essencialmente de pesquisa e desenvolvimento, com foco na transferência de conhecimento para as equipes brasileiras e na colaboração com centros de pesquisa e universidades.
Antes de iniciar a rodagem em vias públicas, o veículo passará por avaliações de suspensão, desempenho e segurança em pistas de prova no interior de São Paulo. Inicialmente, a operação será feita sem carga, evoluindo gradualmente para condições reais de transporte.
O objetivo é coletar dados sobre hábitos de condução no Brasil e entender como temperatura, altitude, tipo de pavimento, condições de rodagem influenciam a eficiência do sistema.
Atualmente, mais de 30 mil unidades semelhantes já circulam na China, mas este é o primeiro modelo a operar em território brasileiro — o que permitirá verificar o desempenho em climas e topografias diversas, além de identificar oportunidades de melhoria.
Após essa primeira fase, o caminhão será testado em infraestruturas de abastecimento com diferentes fontes de hidrogênio: seja eletrolítico (ou hidrogênio verde) ou hidrogênio da reforma do etanol. Em um terceiro momento, a GWM fará uma avaliação econômico-financeira para estimar a viabilidade comercial da tecnologia no país.
Os testes no Brasil fazem parte dos esforços de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da GWM dentro do Programa MOVER, do Governo Federal, e se alinham ao plano global da companhia de neutralizar suas emissões de carbono até 2045.
Sobre a GWM
Maior empresa automotiva chinesa de capital 100% privado, a GWM é a quarta maior fabricante mundial de picapes médias, segmento que ela lidera na China há 24 anos, onde tem uma participação acima de 50%. A empresa tem uma atuação global que envolve mais de 60 países, 70 mil funcionários e oito centros de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) ao redor do mundo.






